Saturday, November 04, 2006

Solidão e a vontade de viver

Por vezes sou assolado por um sentimento de solidão extremo, levado aos últimos graus de dor em que se nos congela a alma e o coração pára de bater sabendo que em breve o seu bater mecanico não será mais necessário. Por vezes sinto-me só no meio da multidão, não da maralha mas sim da multidão. A multidão de amigos, conhecidos, familiares e até ilustres conhecidos que são desconhecidos do nosso ser. Sinto-me só por não pertencer por não ser igual por não ser comum. Sou a base da potência que está elevada a supremacia da dor difusa e incoerente que é a solidão. Desmultiplico-me e adiciono-me em partes iguais e constantes de dor, sal e ódio. Sou a eterna revolução do relógio que não pára para deixar passar o senhor prior a caminho de mais uma leitura do falso livro, livro esse que nos carrega os ombros como se fossemos animais de carga e sem mais nada a dizer que seguimos pois então na maralha.

Por outro lado estar só implica estar infinitamente acompanhado pelos Eu's que percorrem e populam a nossa mente, correm feitos loucos na mente e se lhes damos asas voamos como eles e esquecemos a dor até ao momento de acordar. Tentamos ouvir os passos no corredor, a respiração quando adormecemos o suave toque quando nos aconchegamos, o leve som do dormir e o belo prazer de ouvir... quando isto tudo falha o coração acorda e diz - Estás só é hora de acordar e viver.

Viver faz bem, faz sonhar e acreditar em algo melhor. Estar sozinho é apenas um passo que temos de dar e sorrir porque somos capazes de o dar basta para isso aceitar a solidão como sua e partilhar com ela a dor e a sensação de estarmos vivos que nos traz.

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