Friday, October 13, 2006

BI's Automáticos ou a falta de vontade de construir uma identidade

Todos nós possuimos um Bilhete de Identidade(BI), pessoal e intransmissivel com dois dados que são impossíveis de copiar, a nossa impressão digital e o número. Número esse que contem um número extra, chamado número de controle que é colocado no programa de verificação de números e prova se o número é verdadeiro. Este documento vital nos dias de hoje mostra a identidade exterior que cada um de nós tem, a identidade governamental que temos.

No entanto temos a nossa própria identidade que é formada pelos acontecimentos da nossa vida e influenciada pelas nossa aprendizagens, feitios e mesmo o ambiente onde nos inserimos. A maior parte das vezes, a identidade é obtida pela nossa interlocução com os outros a obrigatoriedade de não vivermos como eremitas e vivermos numa socidade sempre em evolução... ou será sempre em evolução? Nos ultimos 30 anos Portugal cresceu muito rapidamente, novos pensamentos e teorias surgiram e o povo vive numa forma mais desprendida, mas no entanto continuamos presos a termos uma identidade comum, não falo da identidade do euro ou do mundial em que por momentos nos lembramos que somos todos portugueses e cantamos(mal!) o hino e colocamos bandeiras nas janelas, mas sim da identidade social que adoptamos. Somos um país de modas, ora somos pobrezinhos, ora ricos(mas sem dinheiro), ora adoramos o big brother, ora quase que destruimos um barco do aborto ora lemos livros que de um momento para o outro populam os tops nacionais de vendas.

Todos conhecemos o Código Da Vinci, o livro ou o filme é conhecido, no entanto foi uma moda lerem o livro, estava bem e parecia chique as pessoas lerem algo relacionado com o Da Vinci e com códigos, fabuloso... Antes veio o Senhor dos Anéis, que muita gente leu ou fingiu que leu pois basta uma pequena conversa com a pessoa para perceber que viu os 3 filmes e de livro nem cheira-lo... Outra pérola é a variedade brutal de livros "ajude-se a você mesmo", que depois de lidos e relidos todos caem na mesma premissa, se uma pessoa acreditar em si as coisas acontecem, mas no entanto gastou-se uma pequena fortuna para ficar a saber o mesmo... e a mais recente peróla são os livros da Margarida Rebelo Pinto. Como é possível um livro vender tanto com tão pouco para dizer? Das duas uma ou o Português desceu na sua qualidade como leitor ou não desenvolveu um espírito crítico.

Sofremos de um carneirismo implacável, nao associar ao Prof Francisco Carneiro que foi ministro a dada altura, seguimos correntes de ideias e basta cinco minutos de conversa comum para vermos que a maioria pensa da mesma forma, pensa no facilitismo que é ler algo e sentir-se no meio da maralha, de não ser diferente e ao mesmo tempo independente, que não é... apenas é um producto acabado antes mesmo de ter começado. Estes BI's que se compram são terríveis e nem mesmo a liberdade de escrita os impede de existir. Certo que temos mais literatura de qualidade mas a quantidade de literatura de pessíma qualidade aumentou terrivelmente, e assim continuamos a ter BI's automáticos sem o menor desejo do povo criar o seu próprio...

E assim se perdem identidades ou até mesmo futuros nesta nação tão triste que até na literatura falha o seu alvo...

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